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EM FORMA DE ARTE

Museu Goeldi leva ciência amazônica para exposição em São Paulo

EVENTO - Mostra “Quando o museu é rio” segue aberta até 16 de agosto no Instituto Tomie Ohtake

Ádria Azevedo | Especial para O Liberal

19/07/2026

Apresentar as áreas de pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi por meio de um olhar artístico. Esse é o objetivo da exposição “Quando o museu é rio”, aberta desde junho no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, em uma parceria entre as duas instituições. 


A mostra, que segue até 16 de agosto, é uma adaptação do projeto “Um rio não existe sozinho”, em cartaz entre outubro e dezembro do ano passado, com instalações a céu aberto no Parque Zoobotânico do Goeldi, a partir de reflexões relacionadas à produção científica do Museu e à realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) em Belém.


“Quando o museu é rio” reúne artistas convidados e acervos científicos, arqueológicos, etnográficos e biológicos do Museu Goeldi. Entre os artistas participantes estão Déba Tacana, Elaine Arruda, Estúdio Flume, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa.

 

PARCERIA

 

A curadoria da mostra tem assinatura de Sabrina Fontenele, Vânia Leal e Ana Roman, do Instituto Tomie Ohtake, e curadoria científica de Nelson Sanjad, Sue Costa e Sâmia Batista, do Museu Goeldi. De acordo com Sâmia, designer e chefe do Serviço de Comunicação Social do Goeldi, a parceria com o Instituto se iniciou ainda em 2022, com a mostra “Ensaios para o Museu das Origens”, exposição realizada em São Paulo com a participação não apenas do Goeldi, mas de vários outros museus do Brasil.


“Posteriormente, o Instituto Tomie Ohtake nos procurou para ampliar esse diálogo com o Museu Goeldi, que é um museu de ciência e história natural. A partir do contexto da COP 30 e das mudanças climáticas, o Instituto convidou artistas para que eles criassem obras dialogando com os dados científicos que o Museu Goeldi entrega para a sociedade”, explica Sâmia.

“Um rio não existe sozinho”

 

A exposição realizada no Parque Zoobotânico do Goeldi no ano passado reuniu onze obras de nove artistas, instaladas a céu aberto no próprio parque, permitindo interação direta do público com os trabalhos. A intenção da mostra era transformar a arte contemporânea em ferramenta para discutir as emergências climáticas, propiciando diálogo entre seres humanos e meio ambiente.

 

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De acordo com Sâmia, designer e chefe do Serviço de Comunicação Social do Goeldi, a parceria com o Instituto se iniciou ainda em 2022, com a mostra “Ensaios para o Museu das Origens” (Foto: Divulgação)


Para o Instituto Tomie Ohtake, a montagem da exposição no Museu Goeldi buscou articular saberes científicos, conhecimentos tradicionais e explorações artísticas. “Não havia lugar melhor para a gente pensar sobre isso que do que esse Parque Zoobotânico, com uma fauna e flora tão especiais, mas também pelas pesquisas que o Museu desenvolveu nesses quase 160 anos, e também pela possibilidade de trazer conteúdos dessas pesquisas e discussões para os artistas explorarem e pensarem em possibilidades de atuação”, ressaltou a curadora Sabrina Fontenele, na época.


Ana Roman relembra a discussão do Instituto, naquela oportunidade. “Quando o Brasil foi anunciado como sede da COP 30, começamos a olhar para isso e a responsabilidade das instituições culturais nesse sentido. Pensamos em fazer um projeto que olhasse para a confluência de saberes durante a COP e chamamos o Museu Goeldi para ser parceiro nesse desenvolvimento. Os artistas foram convidados a propor trabalhos, a partir de conversas com os cientistas responsáveis pelo Parque Zoobotânico. Os artistas acabaram aprendendo muito sobre esse mundo. Todos saímos modificados, o público gostou, a exposição foi um sucesso”, comemora a curadora.

 

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“Quando o Brasil foi anunciado como sede da COP 30, começamos a olhar para isso e a responsabilidade das instituições culturais nesse sentido. Pensamos em fazer um projeto que olhasse para a confluência de saberes durante a COP e chamamos o Museu Goeldi para ser parceiro nesse desenvolvimento", relembra Ana Roman (Foto: Divulgação)

Conhecimento apresentado de forma lúdica

 

Segundo Ana Roman, o Instituto Tomie Ohtake quis continuar a exposição, dessa vez em São Paulo. “Então, a gente decidiu chamar esses artistas para repensarem os seus trabalhos para serem expostos dentro do Instituto. E chamamos o Museu Goeldi para estar com a gente e pensar de que maneira poderia ser representado nessa exposição, remetendo à pluralidade de vozes que compõem as memórias institucionais e as memórias dessas peças que fazem parte do acervo”, destaca. 

 

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Apresentar as áreas de pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi por meio de um olhar artístico é o objetivo da exposição “Quando o museu é rio”, aberta desde junho no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo (Foto: Sâmia Batista/MPEG)


Sâmia Batista esclarece que, na atual exposição em São Paulo, os mesmos artistas desenvolveram novas obras, em diálogo com as anteriores e com o acervo do Museu Goeldi. “Os visitantes podem conhecer as áreas de pesquisa do Museu, apresentadas com esse olhar artístico que busca sensibilizar a sociedade para os dados que a instituição já apresenta há quase 160 anos, seja em estudos sobre a Amazônia, as sociedades que nela vivem, a história e, principalmente, sobre a questão climática”, enfatiza a curadora científica. Em outubro próximo, o Museu completará 160 anos de fundação e produção científica. 


Sâmia exemplifica alguns dos trabalhos que podem ser vistos na exposição “Quando o museu é rio”. “O público pode conhecer as pesquisas em arqueologia da Edithe Pereira em Monte Alegre, que são reconhecidas internacionalmente. Também é possível conhecer pesquisas associadas à botânica e todas as áreas a que o Museu Goeldi se debruça, porém com uma experiência de sensibilização”, diz a designer.


Entre outros conjuntos apresentados, estão materiais ligados ao Acervo Didático Emília Snethlage, utilizado em ações educativas do museu; o projeto “Replicando o Passado”, desenvolvido com ceramistas do Pará e do Amapá; estudos sobre a descoberta de fósseis de preguiças-gigantes na Amazônia; além da atuação histórica do Museu Goeldi junto a povos indígenas amazônicos e as discussões contemporâneas em torno da classificação e reorganização de acervos etnográficos e biológicos.

 

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“Quando o museu é rio” reúne artistas convidados e acervos científicos, arqueológicos, etnográficos e biológicos do Museu Goeldi (Foto: Sâmia Batista/MPEG)

Obras alertam e sensibilizam

 

Sâmia cita também o trabalho de Mari Nagem. “A artista se debruçou sobre o projeto Esecaflor, uma pesquisa de mais de 20 anos do Museu Goeldi que monitora mudanças climáticas em uma amostra de um hectare de floresta, na Floresta Nacional de Caxiuanã. A vegetação nessa amostra foi impedida de receber água, para que os cientistas conseguissem entender o comportamento da floresta em situação de redução hídrica”, detalha.


“O Museu Goeldi é, de certa forma, pioneiro nesses estudos climáticos na região. Há 20 anos, já vem discutindo essa questão do estresse climático. Então, a Mari Nagem, conhecendo esses estudos, desenvolveu uma obra, chamada Flora Futura, que pretende mostrar o que pode acontecer se tivermos uma situação de estresse hídrico drástico, que nós já estamos vivendo”, conta Sâmia.

 

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“Os visitantes podem conhecer as áreas de pesquisa do Museu, apresentadas com esse olhar artístico que busca sensibilizar a sociedade para os dados que a instituição já apresenta há quase 160 anos", diz Sâmia Batista (Foto: Sâmia Batista/MPEG)

CONEXÃO

 

De acordo com a designer, a ideia das obras é sensibilizar sobre os impactos ambientais denunciados pelos cientistas. “Porém, é preciso que as pessoas criem uma conexão afetuosa, uma conexão subjetiva com a questão. Os dados brutos estão aí, são apresentados em estudos, pela imprensa, mas sem a sensibilização da poética, da estética. A gente acredita que isso acaba impedindo que a sociedade aja em prol da defesa do meio ambiente. Entendemos que o papel de um museu de ciência e história natural também é o de divulgar a ciência, porém de uma forma sensível, lúdica, para que a sociedade passe a ser um agente de transformação e que a gente tenha um outro futuro possível”, conclui.
 

 

PARCERIA INSTITUCIONAL
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